Brinquedos tradicionais auxiliam no desenvolvimento cognitivo das crianças

Psicopedagoga destaca que os pequenos estão perdendo o interesse por construir relações sociais

20/12/2021 09:41h

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Fazer uma pipa, jogar pião ou brincar de casinha. Essas brincadeiras tão tradicionais, do tempo de vó, estão cada vez mais ficando no passado, dando espaço para os brinquedos eletrônicos. Talvez, a tecnologia até venha para “facilitar a vida das pessoas”, mas será que ela realmente tem tantos benefícios assim? 

Se antigamente as crianças tiravam horas de seus dias para se reunir com os amigos, fabricar seus próprios brinquedos e se divertir com as invenções, criando situações, histórias e cenários, hoje o imagético dá lugar aos controles remotos e telas brilhosas. A interação social pouco existe - se é que, às vezes, acontece - resultando em crianças sem criatividade, isoladas, que desenvolvem ansiedade e dependentes da tecnologia.

Edinaildes Cruz, psicóloga, psicopedagoga e professora do Ensino Infantil, explica porque os brinquedos tradicionais, aqueles manuais e caseiros, têm um importante papel no desenvolvimento das crianças.

“Apesar dos brinquedos eletrônicos trazerem vantagens, já que são mais modernos e chamam atenção pelas cores, os brinquedos artesanais remetem à uma infância que foi mais construtiva, cheia de relações saudáveis. Além disso, ajudam na coordenação motora, no tato, no desenvolvimento cognitivo e das habilidades, trazendo um sentimento de prazer e alegria”, diz.

Foto: Assis Fernandes/ODIA 

Mais do que isso, os brinquedos tradicionais, como bola, peteca, e as brincadeiras como amarelinha, pega-pega ou esconde-esconde, permitem que os adultos observem o comportamento das crianças, tanto a relação com ela mesma, como dela para com as outras pessoas. É por meio do comportamento que a criança apresenta sinais, inclusive, se ela foi ou está sendo abusada, e como está sendo construído seu social. 

“Essa construção aumenta a autoestima da criança, a partir do momento que ela aprende a desenvolver um brinquedo sozinha, e aí vem a autoconfiança. Diferente de um eletrônico, que, quando a criança perde, ela já acha que é inútil, que não é capaz. Com o brinquedo artesanal, ela faz junto com os pais e também compartilha, trabalhando outros pontos, como a sustentabilidade, por exemplo”, relata Edinaildes Cruz.

Para a psicopedagoga, as crianças estão perdendo, a cada dia, o interesse por construir relações sociais e isso se deve à presença dos jogos eletrônicos. A vontade de brincar está sendo substituída pelas brincadeiras de computadores e celulares, limitando a imaginação, criatividade e descoberta de novas possibilidades. 

“Quando se fala na tecnologia, esse brincar que ajuda na construção vem dando espaço para esses jogos eletrônicos. Mas a própria tecnologia também percebe a importância desses brinquedos tradicionais e acaba trazendo, mas de uma forma mais moderna. As crianças têm perdido um pouco dessa interação porque, a partir do momento que elas utilizam os jogos eletrônicos, que são individuais ou no máximo em dupla, não há essa interação física com o outro”, destaca Edinaildes Cruz.

Pandemia afetou construção social 

Desde que a pandemia da Covid-19 teve início, em meados de março de 2020, todos ficaram reclusos em seus lares. Com escolas fechadas, a interação e o contato que as crianças tinham com outros alunos deixaram de acontecer. Sem professores para ensinar e sem os colegas de classe, as crianças, em sua maioria, se mantinham ocupadas em frente à televisão, computadores, celulares e videogames. 

“Eles querem saber mais desses jogos, e a resistência em deixar se tornou um desafio. O brincar com outros brinquedos e até com crianças ficou menos interessante devido à dificuldade de se envolver em brincadeiras, de estabelecer relações mais saudáveis. Isso afetou, inclusive, o vocabulário das crianças, que ficou mais pobre, e o conhecimento aprendido fica comprometido”, explica Edinaildes Cruz.

Em frente aos eletrônicos, as crianças tornam-se passivas, ou seja, apenas consomem aquilo que é apresentado. Para a psicopedagoga, além de não compreender o significado daquela informação, as crianças não desenvolvem senso crítico. 

A recomendação, segundo a profissional, é fazer uso dos jogos eletrônicos somente com supervisão de um adulto. “Eles são passivos, só recebem as informações, além de aumentar a frustração. Eles têm dificuldade de aceitar um não, não aceitam perder, o que desperta ansiedade e pensamentos acelerados, comprometendo o conhecimento; por isso, são obstáculos. Os jogos eletrônicos e artesanais devem ser utilizados com supervisão de um adulto para que eles orientem, expliquem seus significados, como funcionam e ajudem a fazer pesquisa”, completa a psicopedagoga.

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