Estudante diz ter sido acusada de roubo e vítima de injúria racial em farmácia de Teresina

A gerente do estabelecimento abordou a jovem quando ela tentou pegar seu celular na bolsa

10/02/2022 13:27h - Atualizado em 13/02/2022 18:46h

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A estudante Ana Carolina Lima Moreira (24) afirma ter sido vítima de injúria racial e acusada de roubo dentro de uma farmácia no bairro São Joaquim, zona Norte de Teresina. O caso aconteceu na noite da última segunda-feira (07),  por volta das 18h30, enquanto, após sair do estágio, decidiu passar no estabelecimento. Depois do ocorrido, a estudante registrou boletim de ocorrência.

Segundo a jovem, após escolher os produtos, ela pegou seu celular, que estava dentro de sua bolsa. Nesse momento, ela foi surpreendida pela gerente do estabelecimento, que, segundo a estudante, insinuou que ela teria roubado produtos da loja

“Ela me olhou com um olhar bem expressivo de acusação, como se esperasse que eu dissesse alguma coisa. Ela perguntou se eu precisava de alguma coisa, mas eu achei que ela estava sendo educada. Eu disse que não precisava e continuei mexendo no celular e tirei o cartão da carteira. E ela falou ‘você acha que eu não vi, mas eu vi’, chamou um funcionário e falou ‘meu Deus, na nossa cara’”, disse.

Ana Carolina explicou que, com a situação, começou a ficar nervosa. Um outro funcionário se aproximou da estudante com uma cesta nas mãos, à pedidos da gerente da farmácia. Neste momento, a jovem conta que retirou todos os objetos de sua bolsa, para provar que não tinha pego nenhum produto da loja.

“Eu afirmei para ele que ela estava me acusando de roubo, mas ele disse que não, e eu estava equivocada. Ela estava falando muito alto, tinham outras pessoas na farmácia e eu estava muito constrangida, me sentindo humilhada. Meu único pensamento era provar que eu não tinha pego nada e sair dali. Quando sai, fui fazer o boletim de ocorrência”, relata. 


Foto: Google Maps

Uma testemunha que presenciou o ocorrido contou a Ana Carolina que, após ela sair do estabelecimento comercial, a gerente chegou a comentar que “conhecia este tipo de pessoa” e que já sabia “das intenções” da estudante, insinuando que ela estava mal intencionada. 

“Essa testemunha ainda me contou que as pessoas que estavam na fila começaram a me julgar também, só que essa pessoa me defendeu e eles começaram a mudar de opinião. Agora, imagina se essa pessoa não tivesse visto tudo e não estivesse lá para me defender? Todo mundo ia achar que eu tinha roubado. E a minha imagem? E o meu caráter? E os meus valores? E a minha família? E a humilhação?”, questiona. 

Ana é uma jovem negra e conta que já passou por situações constrangedoras, de sentir olhares preconceituosos ao entrar em lojas, porém, esta foi a primeira vez que foi acusada de roubo. “Eu só quero que seja provado que não eu não fiz nada. Se ela tivesse visto uma pessoa de cor clara mexendo na bolsa, ela não teria achado que a pessoa estava roubando”, completa.

Crime de injúria racial

Segundo o Código Penal, o crime de injúria racial é uma espécie do gênero racismo. Portanto, é imprescritível, conforme o artigo 5º, XLII, da Constituição. Isso significa que a punibilidade não pode ser extinta e o crime pode ser julgado a qualquer tempo, independentemente da data de quando foi cometido.

A pena de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la. Em geral, o crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas referentes à raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima. 

Contraponto

A assessoria de imprensa da rede de Farmácias Pague Menos disse, por meio de nota, que a denúncia será apurada e que serão tomadas as medidas cabíveis. Veja a nota na íntegra: 

“A Pague Menos reforça que repudia veementemente qualquer tipo de discriminação e preconceito, seja racial, religioso, de origem, de gênero e de orientação sexual. O respeito às pessoas  clientes, parceiros e colaboradores – e à diversidade está presente, inclusive, no Código de Ética da companhia e em seu "Manifesto de Diversidade & Inclusão", amplamente divulgados e comunicados a todo o quadro funcional da rede de farmácias. Além disso, as lideranças são devidamente treinadas para não só darem o exemplo, mas também multiplicarem seus conhecimentos aos colaboradores. A Pague Menos informa que apura o fato para que sejam tomadas as medidas cabíveis.”

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