Gratuidade da segunda passagem encarece o transporte de Teresina, diz empresário

Em depoimento à CPI do Transporte Coletivo, o presidente do SITT afirmou que manter a segunda passagem de graça foi exigência do ex-prefeito Firmino Filho.

24/06/2021 11:55h

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O empresário Alberlan Sousa, dono da viação Emvipi voltou a prestar depoimento na CPI do Transporte nesta quinta-feira (24), dessa vez como presidente do Consórcio SITT. Este consórcio que congrega todos os quatro lotes de operação do sistema de transporte público de Teresina. O SITT é uma entidade criada pelo edital de licitação de 2015 e representa as empresas de ônibus da capital formalmente diante do poder público (Prefeitura e Strans). 


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O que chama a atenção, e que o empresário Alberlan Sousa explicou, é que o SITT não responde financeiramente pelo sistema. Esta função fica a cargo do SETUT (Sindicato das Empresas de Transpporte Urbano de Teresina), sindicato que já existia antes da licitação e que não foi dissolvido quando da criação do SITT.

Em depoimento, Alberlan Sousa atribuiu uma das principais dificuldades de manutenção financeira do sistema de transporte da capital à gratuidade da segunda passagem na integração. 

“Na época, nós fomos chamados pelo então prefeito [Firmino Filho] para conversar e ele apresentou o estudo técnico para implantação do Inthegra. Esse estudo foi feito com base no modelo de outras cidades, mas em muitas delas, a segunda passagem era meia e não gratuita. É o que a gente chama de ‘meia-perna’. Nós apresentamos isso a ele e ele insistiu que queria segunda passagem de graça”, relatou o empresário.


Alberlan Sousa é presidente do Consórcio SITT - Foto: Elias Fontinele/O Dia

De acordo com o presidente do consórcio SITT, os ônibus de Teresina transportavam até 8 milhões de passageiros pagantes e depois que a integração foi implantada com a segunda passagem gratuita, a quantidade de pagantes caiu para cerca de 6 milhões, somando-se as gratuidades previstas em lei e a integração nos terminais. 

Relação com a Timon City

Antes do presidente do SITT depor na CPI do Transporte Coletivo, quem foi ouvido foi o empresário Ramon Alves, dono da viação Timon City, que opera linhas na cidade maranhense e foi a primeira empresa a circular em Teresina com ônibus equipados com ar condicionado. Em sua fala, Ramon fez duras críticas ao sistema de transporte da capital e falou inclusive em barreiras à entrada e reserva de mercado com favorecimento das viações locais no edital de licitação de 2015.

De acordo com Ramon, todos os veículos operados por ele foram adaptados de acordo com plano diretor de Teresina, mas mesmo assim nunca foi dada à sua empresa a oportunidade de operar linhas formalmente na cidade. “Eu tive que vender oito ônibus porque o sistema disse que só tinha 12 vagas e eu tinha mais carros do que o que precisava, segundo eles. E hoje a gente vê um sistema que não consegue atender nem metade da população”, afirmou.


Foto: Elias Fontinele/O Dia

A fala de Ramon Alves foi rebatida pelo presidente do Consórcio SITT, Alberlan Sousa. Ele negou que as empresas teresinenses tenham sido favorecidas de alguma forma no edital e criticou o empresário de Timon alegando que ele não tem como opinar sobre o sistema de transporte daqui se não interage com os empresários que aqui operam para saber como funciona o modelo por dentro.

“Haviam 17 empresas no edital de licitação para participar. Com relação à Timon City, ele não quis participar na época. Sobre as críticas que ele [Ramon] fez ao sistema, é difícil criticar sem interagir e saber o que está acontecendo. Ele trabalha numa linha interestadual que é gerida por outro sistema. E com relação à reclamação dele de não ter acesso ao sistema de bilhetagem eletrônica nos ônibus dele que rodam aqui, é porque estamos seguindo a lei e ela é clara quando diz que a bilhetagem é municipalizada e não pode jamais ser operada em outro estado”, explicou Alberlan.

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