Homofobia: empresa se recusa a atender noivas em Teresina

Em conversa com Ludmila e Cinsy, a empresa alegou não realizar casamentos homoafetivos

11/01/2021 10:53h - Atualizado em 11/01/2021 13:13h

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Juntas há 10 anos, a correspondente bancária Ludmila Chaves e a assistente social Cindy Andrade decidiram oficializar a união. As noivas então iniciaram a busca por orçamentos para a cerimônia, que ainda não tem data marcada, mas deve acontecer ainda este ano. Dentre os itens a serem pesquisados, estava um dos mais importantes, aquele que deixaria registrado esse momento tão especial: a filmagem.

Cindy, uma das noivas, entrou em contato com uma empresa especializada, em Teresina, para saber sobre a disponibilidade de datas e valores. Algo comum para qualquer pessoa que busca melhores preços. Porém, Cindy e Ludmila foram surpreendidas por uma resposta que, no mínimo, era inesperada. A empresa se recusou a oferecer orçamento para as jovens, alegando não realizar “casamentos homoafetivos”.

“A Cindy entrou em contato com a empresa apenas para saber o orçamento e foi recebida daquela forma agressiva. Depois desse contato eles não deram mais nenhuma resposta, e, após a repercussão, eles desativaram o perfil no Instagram para que ninguém marcasse ou entrasse em contato com eles”, conta Ludmila.

Os prints da conversa viralizaram nas redes sociais e se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter na noite do último domingo (10). “A gente não imaginava que chegaria a esse ponto, mas que bom que chegamos. Estamos no Século 21, que deveríamos sim ser mais respeitados. Além disso, iríamos pagar da mesma forma, o nosso dinheiro não teria diferença. A empresa foi totalmente preconceituosa, foi consentido, eles não falaram aquilo à toa. Eles deixaram bem explícita a opinião deles”, enfatiza.

Ludmila Chaves comenta que o casal tem recebido muitas mensagens de apoio, inclusive de profissionais de diversas áreas que estão oferecendo seus serviços gratuitamente. Elas ainda não decidiram quais os próximos passos que tomarão, mas destacam que já conversaram com alguns advogados sobre o caso.

“Nesse momento estamos apenas discernir o que está acontecendo, pensar e ver o que fazermos a partir de agora. Muitas pessoas vieram falar conosco, estamos sendo bem recebidas e abraçadas por todos. Alguns advogados vieram falar conosco e ofereceram ajuda sem custo algum”, acrescenta Ludmila Chaves.

“Nenhuma empresa pode se negar a atender um cliente”, diz advogado do Consumidor

“Um dos direitos fundamentais, previsto na Constituição Brasileira, é a vedação ou discriminação por orientação sexual, raça ou religião. Dessa forma, nenhuma empresa pode se negar a atender um cliente por conta da orientação sexual dele, ou seja, isso não pode acontecer de jeito nenhum”, enfatiza o advogado do Consumidor Thiego Sena.

Segundo o especialista, o caso de Ludmila e Cindy deve ser tratado como homofobia por apresentar uma conduta discriminatória em relação à orientação sexual das clientes. O advogado comenta que a situação sofrida pelas jovens caberia uma ação no judiciário pedindo uma reparação por danos morais.

“Isso viola gravemente os direitos fundamentais e do consumidor. Essa foi uma conduta discriminatória e totalmente contra os preceitos que vigoram hoje em dia na nossa sociedade e ordenamento jurídico. A empresa teve uma conduta totalmente deselegante; se eles não quisessem atender, deveriam ter encaminhado para outra empresa que fizesse esse serviço. O cliente não quer saber qual a religião da empresa, ele quer saber do bom atendimento”, frisa o advogado Thiego Sena.

Contraponto

A equipe de reportagem do PortalODIA.com tentou contato com a empresa, mas as ligações não foram atendidas. O espaço está aberto para esclarecimentos. 

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Por: Isabela Lopes