Manifestantes fazem ato contra a 'cura gay' na Avenida Frei Serafim

Para os ativistas, a decisão judicial que autoriza a terapia de "reversão sexual" representa um retrocesso e um perigo à saúde de gays, lésbicas e bissexuais.

25/09/2017 19:17h - Atualizado em 25/09/2017 19:45h

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Dezenas de pessoas se reuniram, no final da tarde desta segunda-feira (25), na avenida Frei Serafim, em um ato pela revogação da liminar que dá autorização para psicólogos poderem tratar a homossexualidade como doença. Apesar do clima festivo, os manifestantes se posicionaram com cartazes em mãos para chamar a atenção da população teresinense sobre a polêmica. Para os ativistas dos direitos LGBT, a decisão judicial representa um retrocesso e um perigo à saúde de gays, lésbicas e bissexuais.

O ato foi organizado por entidades e movimentos organizados da sociedade civil, entre eles, o Conselho Regional de Psicologia, Conselho Regional de Serviço Social, Grupo Matizes, Grupo Piauiense de Transexuais e Travestis e pela Liga LGBT. De acordo com a coordenadora do Grupo Matizes, Marinalva Santana, a manifestação teve como objetivo reafirmar a importância da resolução 001/99 do Conselho Regional de Psicologia, considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão.

“Nós vemos essa decisão como um retrocesso. Uma resolução que estava em vigor há 18 anos, e um juiz através de uma canetada quer cassar uma conquista histórica, tanto da sociedade, como dos profissionais da área da psicologia e do movimento LGBT. Estamos aqui para protestar e dizer que não vamos aceitar passivamente essa retirada de direitos”, afirma, acrescentando que a decisão é um reflexo de uma onda conservadora que tem crescido no Brasil nos últimos anos.

Para a coordenadora do Grupo Matizes a decisão é um reflexo de uma onda conservadora que tem crescido no Brasil nos últimos anos. (Foto: Jailson Soares/Jornal O Dia)

Para a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia, Elizandra Pires, a liminar reforça o preconceito e a estigmatização de gays, lésbicas e bissexuais. Além de provocar o adoecimento dessa população. “Essa forma de tentar adequar a pessoa dentro da sociedade pode aumentar a angústia, a ansiedade e até tentativas de suicídio. Já foi comprovado cientificamente que não tem como a orientação sexual ser como colocada como um problema de adoecimento, uma patologia”, afirma. 

Para a presidente da Comissão de Direitos Humanos do CRF, a liminar reforça o preconceito e a estigmatização de gays, lésbicas e bissexuais.  (Foto: Jailson Soares/O Dia)

A psicóloga destaca ainda que o grupo de psicólogos responsável pela ação judicial trabalham dentro de uma vertente que não é científica, constituindo, assim, exercício ilegal da profissão. “A partir do momento que você trabalha com a possibilidade de uma coisa que não foi testada cientificamente, você não trabalha com ciência. Quando você começa a trabalhar se intitulando como psicólogo, e trabalhando com práticas que não são da psicologia, isso é exercício ilegal da profissão”, pondera.

O ato composto por jovens, adultos e até animais de estimação, também pontuou a retirada da transexualidade de dentro do rol de patologias pela Organização Mundial de Saúde e pelo Conselho Federal de Psicologia. “Também estamos aqui para tirar transexualidade do rol de doenças e transformá-lo em modo de ser, assim como a homossexualidade”, explica a coordenadora do GPTrans, Maria Laura dos Reis.

A presidente do GPTrans afirma que a luta também engloba a retirada da transexualidade do rol de patologias da OMS. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Entenda

A Justiça Federal do Distrito Federal concedeu uma liminar, no último dia 15 de setembro, que abre brecha para psicólogos tratarem a homossexualidade como doença. Por meio do documento, o juiz federal, Waldemar Cláudio de Carvalho, determinou que o Conselho Federal de Psicologia não proíba psicólogos de realizar atendimentos orientados para uma “cura gay”, alegando que a proibição atenta contra a liberdade profissional.  A ação foi movida por um grupo de psicólogas (os) defensores da prática e gerou uma repercussão negativa entre movimentos sociais, entidades da área da saúde e entre a própria população LGBT.

Veja fotos do ato:

(Fotos: Jailson Soares/ O Dia)


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Por: Nathalia Amaral

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