No 1º dia de greve, teresinenses esperam ônibus por 3h e valor de corridas por app dispara

Diante das crises recorrentes no sistema de transporte coletivo, os teresinenses buscam alternativas para se locomover pela cidade.

21/03/2022 10:16h - Atualizado em 21/03/2022 11:18h

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Na manhã desta segunda-feira (21), os pontos de ônibus em Teresina amanheceram lotados depois que motoristas e cobradores iniciaram uma nova greve. Diante das crises recorrentes no sistema de transporte coletivo, os teresinenses buscam alternativas para se locomover pela cidade. É o caso da vendedora Kelly Lima que, por falta de ônibus, precisa comprometer parte do seu salário para pagar corridas por aplicativo.

Foto: Assis Fernandes/O Dia

Sem o transporte público nas ruas, o preço das corridas por aplicativo subiu expressivamente devido ao aumento na procura. Nesta manhã, alguns usuários chegaram a relatar um acréscimo de mais de 100% no valor das corridas. Kelly Lima, por exemplo, foi uma das teresinenses que teve prejuízo para conseguir chegar ao trabalho. Ela conta que, por causa da falta de ônibus, já chegou a pagar quase um salário mínimo em um mês em corridas por aplicativo.

Foto: Assis Fernandes/O Dia

"Sem contar a demora, comecei a pedir um carro de aplicativo 6h40 da manhã e só consegui uma corrida às 7h35. Geralmente eu pago cerca de R$ 12 reais nesse percurso, hoje o valor estava em R$ 33, mas como eu tinha que ir trabalhar, tive que pagar. Nas paralisações anteriores, já cheguei a pagar mais de R$800 em um mês pra ir e voltar do trabalho", relata a vendedora.

Foto: Reprodução

Para outras pessoas, o transporte por aplicativo não é uma opção. No canteiro central da Avenida Zequinha Freire, a diarista Adriana Costa esperou um ônibus para ir ao trabalho por quase três horas. Ela afirma que fica no local por causa das péssimas condições da parada. Sem dinheiro para arcar com o transporte por aplicativo, a única solução é esperar.

"A situação está complicada para quem precisa de ônibus. Quem tem condições de pagar o transporte por aplicativo, paga. Mas e quem precisa do ônibus? Estou para desistir e ir pro trabalho a pé mesmo. A gente tenta ver um lado bom, mas não encontra, porque todo ano tem isso e a cada dia que passa a situação está piorando", avalia.

Foto: Assis Fernandes/O Dia

A bacharela em Direito Gabriela Rocha também foi uma das teresinenses que, devido ao cenário de incertezas do transporte coletivo, precisou tomar uma decisão para conseguir se locomover pela cidade. Apesar do alto custo, a jovem decidiu comprar um carro para conseguir chegar ao trabalho sem depender do transporte público.

Foto: Jorge Machado/O Dia

“A única forma para a gente se locomover pela cidade ou era por meio de carona ou de bicicleta e moto. A gente teve que arranjar um carro para ir trabalhar, tanto eu quanto como a minha tia Cléo. Quem não tem carona, tem que arranjar outra forma de vir. Eu consegui um carro, graças a Deus, mas tem outras pessoas que não conseguiram nada. Eles têm que depender exclusivamente de ônibus ou pegar um transporte por aplicativo, que está muito caro”, disse.

Para a bacharela em direito Gabriela Rocha, a Prefeitura de Teresina é a grande responsável pela crise atual no transporte público. Segundo ela, o transporte é apenas um dos problemas que a Capital enfrenta sem uma solução efetiva por parte da gestão municipal.

"A prefeitura não está ajudando em nada. Eu não culpo nem o coitado do prefeito, porque ele é apenas uma marionete nas mãos do vice-prefeito Robert Rios, que está ali só roubando o dinheiro da prefeitura. A cidade está jogada às traças, cheia de mato e lixo nas ruas, cheia de buracos. Os ônibus deveriam ter voltado 100%, os motoristas e cobradores não tem nada a ver [com a crise], eles têm que receber o salário deles e nem a isso eles têm direito. É extremamente desumano, eles são trabalhadores também. Não sei onde é que Teresina vai parar", denuncia.

A reportagem do O DIA entrou em contato com a assessoria do vice-prefeito Robert Rios e solicitou um posicionamento sobre as acusações, mas até o momento não obteve resposta. O O DIA reitera que o espaço continua aberto para quaisquer esclarecimentos sobre a denúncia.

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