Peixe-leão que causou paradas cardíacas em pescador cearense já foi registrado no Piauí

O local do acidente envolvendo o pescador fica quase 8 km do município de Cajueiro da Praia, litoral do Estado, em linha reta.

27/04/2022 15:24h - Atualizado em 27/04/2022 17:09h

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A hospitalização de um pescador que teve convulsões e paradas cardíacas após pisar em um peixe-leão, na praia do Bitupitá, em Barroquinha, no interior Ceará, acendeu um novo alerta sobre os perigos da espécie para a população. O animal, que é altamente venenoso, já foi encontrado em águas rasas no Piauí. O local do acidente fica quase 8 km do município de Cajueiro da Praia, litoral do Estado, em linha reta.

Distancia entre o município de Cajueiro da Praia e a Praia do Bitupitá, onde ocorreu o acidente. Foto: Reprodução/Google 

Segundo a professora Geórgia Aragão, doutora em sistemas oceânicos e especialista em tubarões, o peixe-leão é uma espécie invasora que não possui predadores. Isso significa dizer que ele não é um animal nativo do Brasil e, por isso, tem se multiplicado rapidamente pela costa brasileira. O caso de Bitupitá foi o primeiro acidente em campo registrado no país.

“O peixe-leão é uma espécie exótica. Ele foi introduzido ao país por um motivo que a gente ainda não sabe exatamente. A primeira aparição deste peixe se deu no Rio de Janeiro. Um tempo depois ele começou a ser registrado em outras áreas do país. Uma espécie invasora é considerada pelo fato dela não ter predador local. Ou seja, ela se multiplica facilmente. Esses peixes não apareceram no Ceará por uma questão específica. Na verdade, eles estão invadindo toda a costa brasileira”, afirma.

“O animal foi visto em uma profundidade de oito metros. Então é necessário ter cuidado redobrado tanto pescadores quanto banhistas. A forma de prevenção pelas autoridades é investir na retirada desses animais enquanto ainda tem controle no ambiente. Quanto mais demorar, mais a população da espécie vai crescer”, completa. 

O peixe-leão pode afetar a biodiversidade local, a pesca artesanal, o turismo, e também ser um problema de saúde pública. Ele se reproduz com muita facilidade: uma fêmea é capaz de colocar 2 milhões de ovos na vida. Além disso, a falta de predador nativo faz com que o animal tenha chances maiores de sobrevivência.

Foto: Divulgação/ Universidade Federal do Ceará

 “A gente já tem registro dele no Piauí. Isso se dá porque eles não têm predadores e, por isso, estão invadindo as áreas. A grande questão é que eles têm essas toxinas que causam uma série de problemas para os seres humanos”, completa.


Em março, uma expedição formada por pesquisadores capturou, pela primeira vez, nove peixes-leão no Piauí e Ceará. O grupo foi formado por 12 pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará e por pesquisadores dos municípios de Camocim e Acaraú.

Mais de 20 peixes-leão são encontrados em dois dias na região do acidente

Da segunda-feira (25) até a terça-feira (26), mais de 20 peixes-leão foram retirados do mar da Praia de Bituitá, no Ceará, segundo relatos de pescadores. Portanto, há a possibilidade de eles serem encontrados no Piauí. Os animais não estão sendo devolvidos para o mar e que os pescadores seguem a recomendação do Ibama.

A espécie pode chegar até 47 centímetros e tem 18 espinhos venenosos. É pisando ou esbarrando nesses espinhos que os sintomas costumam se manifestar em humanos.

O pescador do Ceará foi identificado como Francisco Mauro da Costa Albuquerque, de 24 anos. Em entrevista à imprensa, a Ana Vitória Alves Laurindo, mulher dele, contou que o jovem sofreu dores na região onde foi furado e teve convulsões e duas paradas cardíacas. O pescador ficou internado durante seis dias por conta do acidente.

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