Psicóloga dá dicas de como lidar com a morte e conviver com o luto

Segundo a psicóloga Ianny Luizy, superar o luto requer tempo e aceitação

10/01/2022 14:38h - Atualizado em 10/01/2022 14:59h

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Às vezes a saudade machuca bem mais que um ferimento físico. As perdas, normalmente, atingem em cheio, causandolágrimas, arrependimento, desespero e até depressão. Esses são sentimentos comuns, mas necessários para aliviar a tristeza pela morte de alguém querido. Falar sobre luto não é fácil, mas sabemos que é uma situação inevitável, pela qual todos passarão em algum momento da vida. Na última quarta-feira (05), o Sistema O Dia perdeu Lívio Galeno, âncora do Jornal O Dia News (ODN) . Segundo a psicólogaIanny Luizy, superar o luto requer tempo e aceitação.

A profissional explica ainda que viver a dor da perda é algo que pode ser feito com sabedoria. Em qualquer processo de perda, é natural ficar triste e desanimado, inclusive negar a situação em um primeiro momento.  

Foto: Reprodução/Pixay


“Como lidar com a dor da perda? Vivendo a dor. Não tem como a gente tratar como se a dor não existisse. Até porque todo o processo de evolução do ser humano passa por alguma dor. E quando a gente fala de luto, estamos falando do luto de uma perda, mas sempre estamos em processo de luto”, explica.


De acordo com a profissional, o processo de luto consiste em cinco etapas: negação, ira, depressão, barganha e aceitação. Vale ressaltar que cada pessoa tem seu tempo para lidar com a perda. Várias situações ligadas à perda de alguém que amamos podem fazer com que nossa forma de lidar com o luto seja diferente.


“A primeira é a negação. As três do meio não veem em ordens especificais, podem vir em ordens aleatórias. São elas: a depressão, a ira e a barganha até chegar na aceitação. Vale ressaltar que cada pessoa tem seu tempo para lidar com essa perda. Portanto, existem pessoas que vão passar pelo luto de uma forma muito rápida e existem pessoas que vão demorar”, comenta.


Um ponto de alerta é a permanência do luto por mais de seis meses a um ano. Ianny esclarece que, quando a dor não passa por todas as etapas, é necessário que pessoa procure ajuda. “Não tem como definir quanto tempo vai durar esse luto porque cada pessoa passa de uma maneira diferente. O que se torna preocupante é a partir do momento que passou de seis meses a um ano e essa dor não passou por todas as etapas. Então é necessário que a gente busque ajuda de um profissional”, conta.

Ela completa: “a melhor forma de lidar com o luto é entendendo que é uma etapa da vida e que ela vai passar. Entender que a única certeza que todos nós temos é justamente essa de que vamos morrer, justamente porque somos finitos. Então não tem como a gente achar que somos ‘super-heróis’ que nunca vamos morrer. É entender ainda que é um processo natural da vida”.

Perda precoce

Na lei natural da vida, os pais morrem antes dos filhos, e como enfrentar essa situação quando essa realidade se inverte?  “Por mais que não esteja seguindo essa ordem natural, dos pais morrerem antes que os filhos, temos que entender que isso é natural. A questão é não endeusar essa morte. O que acontece, muitas das vezes, é o endeusamento. De colocar a pessoa que faleceu como a melhor pessoa do mundo. O ideal é colocar essa pessoa e lembrar como um ser humano e das coisas boas do cotidiano. Lembrar dos seus defeitos, suas qualidades, e não colocar essa questão do luto como a pior coisa. A melhor forma de lidar com o luto é deixando a dor passar”.

Lembrar dos bons momentos pode ser uma alternativa interessante para lidar com a dor e a saudade. Questionar sobre como está vivendo também pode auxiliar nesse processo. “Acredito que é esse o legado da morte. Eu costumo dizer que ela tem dois pontos bem tensos: ou a pessoa se afunda ou ela entende e questiona como está vivendo”, disse.

Procurar ajuda também é importante

Quando o luto começar a atrapalhar as atividades diárias é hora de procurar um profissional. “É quando essa pessoa não está conseguindo mais trabalhar, cumprir com suas obrigações corriqueiras e passou mais de um ano com os mesmos sentimentos. Isso pode dificultar ainda mais esse processo de luto. Os locais que as pessoas podem procurar são clínicas psicológicas –  a pessoa deve procurar um psicólogo que se sente à vontade, que a pessoa se sinta acolhida, o profissional que lhe ajude”, finaliza.

Lívio para sempre

O jornalista Lívio Galeno, âncora do telejornal O Dia News, morreu na última quarta-feira (05) vítima de uma infecção generalizada. Ele era natural de Parnaíba e nasceu no dia 31 de julho de 1985. Casado com Thalita Lima e pai da pequena Eva. A missa de sétimo dia pelo falecimento dele ocorre nesta terça-feira (11), às 19h, na catedral de Nossa Senhora das Dores, em Teresina.

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