Sem escoamento, água de esgoto deixa moradores ilhados no Angelim

O aposentado José da Cruz, de 78 anos, teve que construir uma mureta na frente da sua residência para impedir a passagem da água

29/04/2022 15:02h - Atualizado em 29/04/2022 17:13h

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Já imaginou conviver com um esgoto a céu aberto e ter que usar calçadas de vizinhos para chegar ou sair de casa? Essa é a situação enfrentada há mais de 20 anos por moradores da Rua F, no bairro Angelim, na Zona Sul de Teresina. A água empossada na via chega a cobrir os pés de quem passa pelo local. O aposentado José da Cruz, de 78 anos, teve que construir uma mureta na frente da sua residência para impedir a passagem da água.

O aposentado José da Cruz mora na região desde 1991. Foto: Assis Fernandes/ODIA 

Ao Portal O Dia.com, o aposentado contou que no período chuvoso a situação piora. “Eu mesmo construí para impedir a passagem da água, que já dura mais de 20 anos. A água empossada é profunda ao ponto de cobrir os pés de qualquer pessoa. Nem motociclista tem coragem de passar. No período chuvoso, a situação piora”, relata.

Sem ter como sair e entrar em casa usando a rua, ele precisa usar calçadas de vizinhos para entrar na sua residência. “Você imagina ter que passar por isso há mais de 20 anos. Já falamos com vários órgãos, mas só existe a promessa. O pobre também precisa ter dignidade”, reclama.

José da Cruz precisa usar calçadas de vizinhos para sair e chegar em casa. Foto: Assis Fernandes/ODIA 

Na frente da casa de José da Cruz, mora a também aposentada Maria Luzia, de 68 anos. Segundo ela, nem atendimento médico os moradores conseguem ter acesso por causa das péssimas condições da rua.

“As pessoas têm desgosto para entrar aqui por causa da água. Nós só conseguimos entrar em nossas residências se andarmos pelas calçadas. Além disso, quem precisar de algum serviço de saúde pode esquecer porque a ambulância não tem condições de parar na porta das casas. É uma vergonha”, relata.

Calçada alta dificulta mobilidade de idosos que se arriscam em pedras para ir e vir. Foto: Assis Fernandes/ODIA 

A outra moradora Elisangela Mendes Martins, de 44 anos, relatou que o problema se agrava ao longo dos anos e teme ficar doente devido ao acúmulo de água parada.

“Essa situação está assim há mais de 20 anos. Quando chove, dá para andar até de canoa. Nós estamos ilhados porque mesmo fora do período chuvoso essa poça fica a céu aberto chamando mosquitos. Essa situação traz riscos para a nossa saúde, já que podemos pegar dengue por causa da água parada. Cada dia a situação fica pior”, disse

Foto: Assis Fernandes/ODIA 

Segundo os moradores, o problema acontece devido à falta de escoamento da água e construção de uma galeria na região. Além disso, de acordo com eles, o caminho que água percorre passa por um terreno particular – sem manutenção – e se concentra na parte mais baixa da rua.

“A água vem de outras ruas do bairro, passa por esse terreno particular que não sofre manutenção e empossa nessa parte mais baixa. No passado, foi prometida a construção de uma galeria para solucionar o problema, o que não aconteceu. Enquanto isso, o local reúne mosquitos, sapos e outros animais durante a noite”, finalizou Elisangela Martins.

Outro lado

Em nota, a Superintendência das Ações Administrativas Descentralizadas Sul (Saad Sul) lamentou os transtornos causados aos moradores e informou que vai enviar uma equipe técnica para realizar "a vistoria do local e fazer o levantamento das devidas providências a serem tomadas para solução do problema na região."

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