"Setut e trabalhadores estão de mãos dadas para tirar dinheiro da PMT", diz Robert Rios

Referindo-se à greve dos motoristas e cobradores de ônibus, o vice-prefeito afirmou ainda que há empresas recebendo repasses sem capacidade operacional.

08/04/2022 12:03h - Atualizado em 08/04/2022 12:14h

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O vice-prefeito de Teresina, Robert Rios, disse na manhã desta sexta-feira (08) que o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários no Estado do Piauí (Sintetro) e o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) “estão de mãos dadas para tomar dinheiro da prefeitura”. A declaração veio depois que prefeitura rejeitou proposta do Setut, que solicitou ao poder público uma ajuda financeira de R$ 1,25 milhão e mais R$ 300 mil de auxílio diesel.

“Os sindicatos dos empregados assim como o dos empresários estão de mãos dadas para tomar dinheiro da prefeitura. Agora, vai ser difícil. Fiz duas reuniões no TRT. Na última reunião estava tudo certo. Os desembargadores conversaram com os empregados e, de repente, apareceu um membro do Ministério Público e desfez o acordo. Bem, se ele desfez, que agora ele faça a correção do sistema. O que não pode é a prefeitura tirar dinheiro do povo de Teresina, dinheiro que é para a educação, saúde, geração de emprego e renda e repassar para empresas de transporte coletivo”, declarou. 

O vice-prefeito afirmou ainda que menos da metade das empresas licitadas para gerir o transporte público de Teresina têm estrutura para conduzir o sistema. Segundo Robert Rios, das oito empresas que atuam na capital, apenas três possuem de fato frota de ônibus.

“Das oito empresas, apenas três delas têm ônibus para ocupar o sistema licitado e outras empresas não têm nenhum. Então, eles estão apenas pegando o repasse da prefeitura e rateando entre eles mesmo sem ônibus. Basta ir em algumas empresas e perguntar quantos ônibus você tem? Onde ele estão? Quantos motoristas e cobradores você tem de carteira assinada? E você vai descobrir que uma empresa que não tem ônibus, não tem motorista de carteira assinada, não tem cobrador, quer receber dinheiro da Prefeitura. Isso é criminoso. Não vamos nos submeter a esse tipo de chantagem”, disparou Robert.


Foto: Tarcio Cruz/O Dia

Reunião terminou sem acordo

O encontro ocorrido ontem (08) entre Setut e Prefeitura terminou sem qualquer acordo para findar a greve dos motoristas e cobradores. A proposta apresentada pelos empresários solicitava repasse mensal de R$ 1,25 milhão por mês, valor este que, segundo o sindicato, é o necessário para manter o sistema apenas com a cobertura do óleo diesel e do repasse da inflação nos salários dos trabalhadores.

Por meio de nota, o Setut informou que esse valor não inclui as demais verbas que a Prefeitura tem que repassar mensalmente por obrigação contratual para os consórcios Os atuais R$ 1,2 milhões que a Prefeitura vem pagando mensalmente, de acordo com os empresários, se referem a débitos anteriores advindos da gestão anterior e que “não podem ser utilizados para suplantar novas obrigações de custos, como o reajuste do salário e do diesel”.

A proposta de pagamento de R$ 1,25 milhão  foi rejeitada pela Prefeitura, que ofereceu R$ 800 mil para sanar as questões trabalhistas entre empresas e trabalhadores, mantendo os R$ 300 mil do auxílio diesel. 

Nesta manhã, o vice-prefeito Robert Rios chegou a afirmar que as empresas de ônibus estão “acostumadas a receber dinheiro da prefeitura” e que os repasses que elas recebem na verdade é “dinheiro dado” e não pagamentos por dívidas. Disse ele: “A prefeitura vinha dando esse dinheiro, não pagando. A gente paga quando deve, quando não deve, a gente dá. Era uma contribuição da Prefeitura para normalizar o transporte”, disparou Robert Rios.

O Setut disse que não vai comentar as declarações do vice-prefeito. O Portalodia.com está buscando contato com o Sintetro, mas até o momento não conseguiu retorno.

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