VÍDEO: moradores ateiam fogo para tentar evitar reintegração de posse em Teresina

A Polícia Militar, através da Tropa de Choque, informou que 76 famílias foram informadas sobre a desapropriação

24/05/2022 10:07h - Atualizado em 24/05/2022 11:51h

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Moradores de uma ocupação no Loteamento Uruguai, na Zona Leste de Teresina, atearam fogo em pneus e pedaços de madeiras para evitar uma reintegração de posse determinada pela Justiça e marcada para a manhã desta terça-feira (24).

Viaturas do 5º Batalhão da Polícia Militar foram para o local por volta de 5h com a ordem de despejo. O manifesto dos moradores começou por volta das 7h, com uma das ruas bloqueada para impedir a passagem dos agentes.

A ordem judicial foi deferida pela 5ª Vara Cível de Teresina. A Polícia Militar, através da Tropa de Choque, informou que 76 famílias foram informadas sobre a desapropriação. 

Em entrevista à imprensa, o major Jamison, que coordenou a ação no local, informou que o trabalho de negociação junto às famílias e lideranças comunitárias iniciou há cerca de uma semana. Além disso, órgãos como o Conselho Tutelar e Ministério Público foram informados sobre a situação.

“A Polícia Militar esteve há mais de uma semana fazendo essa negociação e já fizemos contato com os ocupantes e lideranças comunitárias. Inclusive, junto ao oficial de justiça, bem como o Conselho Tutelar, Ministério Público e a Semcaspi. A PM está para manter e cumprir a ordem com segurança”, contou. 

A líder comunitária Fabíola Lemos disse à O Dia TV que o terreno é da Prefeitura de Teresina e que está abandonado há 30 anos. Ainda segundo ela, os ocupantes moram no local quase um ano e essa foi a primeira vez que o município apresentou um documento de reintegração de posse.

“Já tem um ano que as pessoas ocupam este terreno institucional da prefeitura, que está abandonado há 30 anos. Essa é a primeira vez que o município apresenta um documento e, a gente dos movimentos sociais, tentou sentar com a prefeitura. Em seguida, protocolamos um documento junto ao órgão pedindo o acompanhamento da política de habitação e não tivemos reposta”, disse.

Fabíola afirmou ainda que, segundo o documento, o prazo para a retirada das famílias do terreno é de 15 anos. “Não deu esse prazo, que é de 15 dias, agora que está com oito que as famílias foram notificadas. Eu gostaria de saber para onde vão essas pessoas? A gente quer uma reposta nesse sentido”, completa.

O presidente da associação de moradores, Leonardo Bezerra, afirmou que as famílias vão resistir a decisão da justiça. “Esse era um espaço repleto de mato usado para esconder objetos roubados, uso de drogas e até violência sexual. As famílias moram aqui porque não têm para onde ir. Além disso, fomos informados que as famílias não seriam retiradas daqui por causa da pandemia, já que não podiam ser despejadas e esse foi um acordo firmado com a prefeitura. Agora, eles chegaram para derrubar os barracos.”

Ao Portal O Dia.com, a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas informou que enviou uma equipe para o local para realizar o cadastro das famílias desabrigadas. O objetivo, segundo o órgão municipal, é garantir que elas sejam beneficiadas com programas sociais. 

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Fonte: Com informações de Tony Silva, da O Dia TV.

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