SOSFlamengo-PI: “Rubro-negro não tem um centavo na conta e milhões em dívidas”

Afirmação é de André Russo, torcedor do Mais Querido, que reuniu dezenas de documentos que – segundo ele – comprovam fraudes e má gestão do clube.

25/08/2022 08:24h - Atualizado em 25/08/2022 15:38h

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“Flamengo, a tua glória é lutar”. Quem escreveu esse verso do hino do Flamengo do Piauí quis retratar a garra e a força do rubro-negro dentro de campo. Só que hoje, a “luta” do Flamengo local não é mais por boas apresentações, ou pela conquista de títulos. Agora, a luta é para não fechar as portas. O risco de o clube deixar de existir é real, tamanha as dívidas trabalhistas e a falta de estrutura.


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Foi contra isso que André Russo, um torcedor do Flamengo-PI, se insurgiu. Revoltado com toda a situação vivida pelo clube, ele – por conta própria – decidiu levantar documentos para tentar entender a realidade financeira, administrativa e esportiva do Fla-PI. Em uma longa entrevista ao Jornal O Dia, o produtor cultural afirmou que o que ele encontrou foi uma série de irregularidades, desrespeito ao Estatuto do Flamengo e amadorismo na gestão.

(Foto: Assis Fernandes / O DIA)

Diretorias distantes do profissionalismo

André Russo diz que desde 1995 as gestões do rubro-negro piauiense sempre foram ruins, mas que a coisa começou a piorar em 2007, quando iniciou a gestão de Everaldo Cunha. De lá para cá o denunciante não poupou nenhum das administrações, tanto de Everaldo, quanto as de Jankel Costa, Tiago Vasconcelos e a atual, do presidente Rubens Gomes. “O Flamengo tem processos trabalhistas desde 95, que até hoje nunca foram solucionados. Só esse ano foram novos 10 processos contra o clube”.

Isso sem contar que o clube já disputou campeonatos estaduais com CNPJ inativo, o que contraria norma da CBF, que não reconhece como clube profissional um time que não tenha um CNPJ.

Mandatos irregulares, venda misteriosa da sede e até sócios “fake”

Mergulhando nos documentos, o denunciante afirma que os últimos mandatos que estiveram à frente do Flamengo foram irregulares. Irregularidades que começam já nos processos eleitorais. “Desde 2000, as eleições no Flamengo são feitas de forma errada, sempre por assembleia geral e não pelo conselho deliberativo. Tudo ilegal. Porque o artigo 67 do Estatuto é claro: qualquer tipo de ação que não seja para eleger o conselho deliberativo é nulo. Eles vêm fazendo via Assembleia Geral”.

Como a equipe não tem mais sede – que foi vendida de forma irregular, diz Russo – se tornou difícil até encontrar os documentos para buscar informações sobre venda de jogadores ou sobre as eleições da diretoria. “Os documentos que tenho aqui, consegui em um cartório, porque os que estão em posse do clube, não é possível de achar onde estão”.

Um dos papéis mais difíceis nessa busca pelos documentos relacionados ao clube, é os documentos relacionados à venda da sede do time, no bairro Bela Vista, zona Sul de Teresina. Mas pelos poucos que já conseguiu, André Russo afirma que há problemas no processo. “A venda da sede foi totalmente irregular. Este documento aqui, o Estatuto de 1978, diz que o patrimônio do clube só pode ser feito com a aprovação dos acionistas, que são os proprietários. E não pelo presidente que fez uma assembleia geral e colocou como se fosse uma prestação fiscal, o que é errado”.

“De todas as gestões, a atual é a pior”

“Todos esses últimos quatro gestores foram desastrosos. Mas essa atual é a pior. Além de ser ilegal. Porque a eleição de 2019 foi uma fraude, o Flamengo não tem um quadro de sócios ativos – beneméritos e proprietários – que são os que tem direito ao voto em eleições”, disse. “Só que no dia da eleição, duas pessoas chegaram na porta da Federação para votar, alegando que eram sócios e que iriam votar. E o seu Everaldo Cunha autorizou essas pessoas entrarem, sem exigir nenhum documento comprobatório de que realmente eram sócios do clube. E eles elegeram o atual presidente Rubens”.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre a parte financeira atual, André Russo é taxativo quanto à parte financeira do clube: “Não tenho um cálculo exato, mas a dívida já beira os cinco milhões de reais. E eu acredito que seja até mais. Por que tem atletas individuais e treinadores que tem dívidas de 500 mil. Esse Athirson, que passou pelo comando do Flamengo, uma das coisas mais desastrosas que já aconteceu no time, deixou um rombo que já está em quase 500 mil”. Para tentar mudar essa realidade, André Russo e outros torcedores do clube vão realizar nesta quinta-feira (25) um ato, no centro da capital, denominado #SOSFlamengo. A manifestação ocorre às 16h, com concentração na Praça Saraiva.

O que dizem os ex-presidentes e ao atual, Rubens Gomes

A equipe de reportagem do O DIA entrou em contato com os ex-presidentes do clube e também com o atual presidente, Rubens Gomes, a fim de obter um posicionamento a respeito da denúncia feita por André Russo.

Everaldo Cunha, que geriu o clube entre 2007 e 2010, afirma que as últimas eleições foram feitas por interventores da justiça. Segundo ele, a denúncia não condiz com a realidade. “As últimas eleições foram feitas pela justiça, por dois inventores e eu nem estava presente. Ele está muito longe da realidade do clube. Quando sai, em 2010, foram zerados todos os processos trabalhistas, pelo menos na minha gestão, não existe um processo de trabalho não solucionado. A questão da sede, existe um processo na justiça em andamento”.

Já o ex-presidente Tiago Vasconcelos, que gerenciou o clube entre 2015 e 2018, diz que só irá se manifestar a respeito da denúncia mediante à apresentação dos documentos que comprovem as irregularidades. “Após analisá-los junto com meus advogados, eu me manifesto com o maior prazer e transparência. De todo modo, registro aqui a minha estranheza a uma denúncia feita neste momento eleitoral em que estou na disputa a uma cadeira de deputado estadual”, disse.

O atual presidente, Rubens Gomes, destaca que o denunciante já entrou na justiça contra as supostas irregularidades e que, se for o caso, elas serão comprovadas. “Eu acho que até o nome denúncia é muito forte. Estou no meu primeiro mandato, as eleições antes de mim foram feitas por interventores. Eles (André Russo e outros) entraram na justiça alegando que meu mandato é irregular, se realmente for, vai ser provado, a justiça vai dizer. Quando cheguei no clube, o CNPJ estava inativo e eu consegui regularizar. O clube tem uma dívida de R$ 2 milhões, a justiça confisca tudo que entra na conta do flamengo. Eu já fui para uma reunião com eles, expliquei tudo, eles até me gravaram. O Flamengo tem processo há 20 anos, a justiça chegou a proibir que ele jogasse, mas eu consegui que eles pudessem participar dos jogos”.

O DIA tentou entrar em contato com o ex-presidente Jankel Costa, mas até o fechamento da matéria, não obteve retorno. O espaço permanece aberto para futuros esclarecimentos.

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