Alta nos combustíveis reduz lucro de trabalhadores de transportes: “Vou ficar em casa”

Profissionais estão preocupados com a queda na lucratividade e cogitam deixar profissões, com os taxista, motorista de aplicativo e de caminhoneiro

11/03/2022 12:55h - Atualizado em 11/03/2022 14:53h

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Se para o consumidor comum o aumento do preço dos combustíveis representa um baque nas contas do mês, imagina para quem trabalha e tira o próprio sustento dos serviços de transportes. Categorias profissionais como a dos taxistas e motoristas de aplicativo estão preocupadas com recente aumento de cerca de 18% no preço da gasolina, anunciado pela Petrobras. Os trabalhadores temem a redução da lucratividade e alguns cogitam deixar a profissão.


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É o caso do seu Antônio Sabino, de 73 anos. Taxista há décadas, ele viu ano a ano os lucros caírem. A chegada dos aplicativos por transporte, além das bandeiras tarifárias congeladas desde 2016, se somam aos aumentos consecutivos da gasolina, encarecendo. “Quando foi que nós tivemos aumento das tarifas [bandeiras tarifárias]? Já a gasolina nunca deixou de subir. Antigamente dava para rodar, dava para sobreviver, numa condição bem melhor. Eu não penso em deixar o táxi por causa da minha idade, mas essas coisas passam pela cabeça da gente, de desistir. Porque a gente trabalha e não tem lucro”, diz o taxista de cooperativa Antônio.

Teresina está entre as capitais com valor mais caro de combustível (Foto: Ithyara Borges/ODIA)

De acordo com o Rafael Machado, assessor jurídico do Sinpetaxi, o sindicato que representa os cerca de dois mil taxistas de Teresina, os gastos com combustível levavam 60% do lucro desses trabalhadores. Agora com o último aumento, esse percentual deve subir para 70%. “Antes, se ele fizesse R$ 300 reais de renda bruta, R$ 160 reais é só combustível. Com esse aumento, 70% da receita vai só para o combustível. É preocupante. Desde 2016, a categoria não teve reajuste nas bandeiras tarifárias. Caso não se encontre uma saída conjunta, muitos trabalhadores podem deixar a profissão”, alertou o representante do Sinpetaxi.

Taxistas: categoria está preocupada com o aumento dos combustíveis (Foto: Jorge Machado/O Dia)

O seu Raimundo Pereira, taxista há 50 anos, já decidiu: vai abandonar a profissão. “A gente arranja mal o dinheiro para comer. Eu decidi que vou sair do táxi, vou ficar em casa mesmo. Não tem condições para eu trabalhar. Hoje coloquei R$ 50 reais de álcool – porque não tenho como botar gasolina - e já preciso botar de novo”, revelou o profissional de 70 anos.



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Jornada dupla para sobreviver

Ruim para os taxistas e também para os motoristas de aplicativo. Só rodar com as chamadas dos apps de mobilidade já não é mais suficiente para manter os custos do próprio trabalho e os gastos pessoais. O Cícero Ferreira, tem 33 anos e há três é motorista de aplicativo, porém, ele precisa fazer uma dupla jornada para se manter.

(Foto: Jorge Machado/O Dia)

“Tenho um outro emprego. De dia, trabalho como motorista de aplicativo e a noite como atendente de telemarketing. As corridas estão com um preço que não compensa muito. Eu tenho que escolher as chamadas, não faço todas. E esse aumento vai dificultar ainda mais nossa situação”, explicou o trabalhador.

Cícero divide a jornada de motorista de aplicativo com a de atendente de telemarketing (Foto: Jorge Machado/O Dia)

Caminhoneiros preocupados

O catarinense Adenis Montibeller é carreiteiro há 48 anos. Ele fez a entrega de uma carga em Teresina na última quinta (10) e daqui parte para Trindade, em Goiás. E ele já sabe que terá prejuízo com a viagem, porque o custo cobrado pelo frete, foi calculado com o valor antigo do diesel. “Estamos trabalhando e vamos quebrar trabalhando. Os fretes estão defasados. Não está sendo mais viável. Com tanto tempo de estrada, como que eu vou desistir agora? O que eu vou fazer com 65 anos? Por isso que têm muito motorista autônomo abandonando a profissão”, questiona emocionado.

(Foto: André dos Santos/O Dia)

O custo do diesel, que subiu mais de 24%, segundo anúncio da Petrobras, é um baque para os caminhoneiros e transportadoras de cargas e logística. Os gastos com o diesel representam entre 40% e 50% dos custos de um frete, disse o Humberto Lopes, que é presidente do Sindicapi, o Sindicato dos Transportadores de Cargas e Logísticas do Piauí. “Vai afetar a nossa categoria em cheio. E toda a população. Porque tudo que se consome no Brasil, vem pelos caminhões. Então, todos vão sofrer com esse aumento”, pontuou.

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