Desaparecimento de menores tem relação com o tráfico de drogas na Capital, diz DPCA

Envolvimento de crianças e adolescentes com as facções e o tráfico é cada vez mais cedo e está intimamente ligado aos desaparecimentos em Teresina

05/05/2022 08:45h

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Maria Camila, 15 anos. Fernando Ribeiro, 13 anos. Lara Vitória, 12 anos. A lista de desaparecimentos de menores em Teresina só cresce e assusta pais, órgãos de defesa da criança e do adolescente e claro, a Polícia Civil, que investiga esses casos. E é justamente a Delegacia de proteção da Criança e do Adolescente (DPCA) que traz o dado mais alarmante: a maioria dos desaparecimentos de crianças e adolescentes em Teresina têm a ver com o tráfico e o uso drogas.

Por mês, são pelo menos cinco desaparecimentos registrados pela Delegacia. A maioria deles se resolve - ou seja, são encontrados - em dois ou três dias. Porém, nos casos mais sérios, a demora é maior. 

Quem explica esse cenário preocupante é a Delegada Lucivânia Vidal, titular da DPCA há cerca de cinco meses. Segundo ela, o tráfico tem aliciado menores de idade em situação de vulnerabilidade social e com desestruturação familiar. Já usuários de drogas, eles se tornam “mulas” das facções criminosas, que crescem e disputam territórios em Teresina.

(Foto: Assis Fernandes / O DIA)

“Nós precisamos entender o crime como uma empresa. Eles (tráfico) vão assediar os mais vulneráveis, porque na maioria das vezes já são usuários de entorpecentes e facilmente viram “mulas”, sendo mais baratos. Como boa parte são de famílias humildes, não conseguem manter o vício, vão receber a droga como pagamento. A maioria dos desaparecimentos de crianças e adolescentes em Teresina têm a ver com o tráfico e o uso drogas”, detalha.

Todo tipo de droga é utilizada no pagamento, sobretudo as mais baratas. E quando, por qualquer motivo, os menores aliciados “saem da linha” passam por punições das mais variadas. Inclusive, a execução, como foi o caso da menor Maria Camila de 15 anos. Ela foi encontrada morta em um matagal na Usina Santana, no dia 27 de abril

Os policiais encontram o corpo em uma posição que leva a entender que a vítima estava sentada, levou um tiro ou sofreu enforcamento e caiu para trás. O cadáver estava em avançado estado de putrefação. A menor tinha relação com facções criminosas e com o tráfico.

Adolescente de 13 anos segue desaparecido

Um dos casos que têm chamado atenção é o do adolescente Fernando Ribeiro, de apenas 13 anos. Ele desapareceu no último dia 24 de abril, no bairro Vale do Gavião. Segundo a família do jovem, Fernando Filho foi para a festa com dois amigos e foi visto pela última vez ao entrar correndo em um matagal. O adolescente mora no residencial Firmino Filho, também na zona Leste.

Após 11 dias do desaparecimento, a DPCA segue investigando o caso e não descarta nenhuma hipótese. “Não temos provas de que levem a ligação com as drogas, mas não uma possibilidade descartada. Estamos trabalhando com todas as possibilidades. Ele foi pra essa festa e de lá sumiu, saiu num domingo à tarde, aparentemente para se divertir", resumiu a delegada.

(Foto: Reprodução / Arquivo / O DIA)

Para a delegada, é fundamental que os efeitos das drogas no meio dos jovens sejam enfrentados por diversas forças, como órgãos de assistência social, e não somente com “caso de polícia”. "As instituições, como a rede de assistência social, junto a Polícia precisam se unir para evitar a continuidade de casos como esse problema".

Tanto para o adolescente Fernando Ribeiro, como para outros menores desaparecidos, o telefone para contato da DPCA é o (86) 3216-2676 e o email é: [email protected]

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