Maioria das vítimas de Feminicídio em Teresina é negra, pobre e desempregada

Dados foram levantados pelo Observatório da Mulher, da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM) nesta sexta (02).

02/12/2022 14:19h - Atualizado em 02/12/2022 14:36h

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A Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres de Teresina (SMPM) apresentou hoje (02) dados sobre a violência letal de mulheres na capital. A pesquisa foi desenvolvida por meio do Observatório Mulher Teresina (OMT) e em parceria com o Núcleo de Estatística e Análise Criminal (NUCEAC) da Secretária de Segurança Pública do Estado do Piauí (SSPPI). Entre 2015 e o primeiro semestre de 2022, 145 mulheres foram mortas em Teresina de maneira violenta e intencional, sendo 51 em decorrência de feminicídio. 

Ao longo desses sete anos e meio, observou-se um aumento dos casos de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) e Feminicídios em 2017, 2020 e 2021, principalmente neste último ano no qual ocorreram 26 casos de morte violenta intencional de mulheres, dos quais 11 foram por feminicídio. 

Feminicídio atinge mais negras, pobres e desempregadas

De 2021 ao primeiro semestre de 2022, a violência letal contra mulheres predominou entre negras, principalmente nos casos de feminicídio, com 71,43% (64,29% pardas e 7,14% pretas) e 60% nas demais mortes violentas intencionais (55% pardas e 5% pretas). As mulheres brancas corresponderam a 28,57% dos registros de feminicídio e 20% das demais MVIS. Também ocorreu morte violenta intencional de mulher indígena (5%). 

(Foto: Reprodução/Pexels)

Esses dados se assemelham a estatísticas nacionais nas quais as mulheres negras corresponderam a 62% das vítimas de feminicídio e 70,7% nas demais mortes violentas intencionais no ano de 2021. Já os casos de feminicídio, predominaram entre mulheres adultas (57,14%), com o total de 08 casos, principalmente na faixa etária de 30 a 34 anos (21,43%). 

Aqui, destaca-se a ocorrência de 02 feminicídios contra adolescente e 02 contra idosas. Para este último, considera-se importante ressaltar na prática do feminicídio a condição de gênero e a condição geracional, pelo modo como nossa sociedade compreende o envelhecimento.

Ainda segundo o documento, a maioria das mulheres estava desempregada, 27,27% entre as vítimas de feminicídio e 42% entre as demais MVIs. Além disso, 17% das demais mortes violentas intencionais e 9,09% dos feminicídios foram praticados contra mulheres responsáveis pelos afazeres domésticos e/ou trabalho de cuidado

Números locais seguem tendência nacional

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS), revelam que a taxa de violência contra mulheres é 270 para cada 1000 mil habitantes, enquanto a de homens é de 79. Ou seja, mulheres têm 3,5 vezes mais chances de sofrerem algum tipo de agressão do que homens. 

O levantamento leva em consideração dados de 2020 e demonstram que todas as formas de violência contra a mulher aumentaram nos últimos anos: mulheres foram vítimas em 89% dos casos de violência sexual; 84% dos casos de violência psicológica; 83% dos casos de violência patrimonial e 69% dos casos de violência física. 

De acordo com o DataSus, 3.822 mulheres foram assassinadas em 2020, o que representa um aumento de 10% em comparação ao ano de 2019. Mulheres negras permanecem entre as principais vítimas e figuram em 67% dos casos, sendo 61% pardas e 6% pretas. Já as mulheres brancas correspondem a 29,5% dos casos e as indígenas 1%.

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Fonte: bservatório Mulher Teresina (OMT)