Primeira edição de festival de artes negras é realizada em Teresina

A programação traz rodas de conversa sobre racismo e arte coletiva; oficinas de dança e vídeo; shows de ijexá, MPB, rap e samba, entre outros.

01/09/2022 08:39h - Atualizado em 01/09/2022 09:37h

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Nos dias 2, 3 e 4 de setembro ocorre, na Casa Barro, a primeira edição do Bang! Festival d’Artes Negras. O evento é produzido pela própria Casa e pelo Núcleo de Estudos Baile Afrosamurai - NEBAF!, um grupo de estudos que produz conteúdo e facilita debates sobre arte afro-brasileira. O objetivo é juntar dança, música, pensamento, política, ativismo e a celebração das vidas negras e suas incontáveis expressões artísticas em Teresina, no Piauí e no mundo. A programação traz rodas de conversa sobre racismo e arte coletiva; oficinas de dança e vídeo; shows de ijexá, MPB, rap e samba, discotecagens de reggae, afrobeats e funk; feira de afroempreendedores e roda de samba.


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Jaísa Caldas. (Foto: Divulgação)

Segundo o pesquisador e diretor do festival, Caio Silva, o objetivo do festival é de continuidade e atualização. “O festival tem a intenção de se somar a um incontável número de expressões e manifestações artísticas das comunidades pretas no Piauí e no nordeste. Aqui, por exemplo, a gente tem desde o festival PRETAFORMA, que aconteceu ano passado, passando pelas festas de bumba meu boi e os bailes de reggae. A experiência do negro aqui e no mundo é infinita. Somos apenas uma parte dela”, completa.

Caio Silva. (Foto: Divulgação)

Para Isnaba Nhaga, o DJ Pharaoh, natural da Guiné-Bissau e radicado no Brasil há quase dez anos, a paixão pela arte é ensinada e difundida na África desde o nascimento. “Eu como africano vim de uma cultura onde a arte é muito valorizada, seja ela em forma de música, dança ou artes visuais”, diz. O Brasil herdou uma variedade imensa de manifestações artísticas dos povos africanos que foram brutalmente escravizados durante quase quatrocentos anos. Essas manifestações, ainda que vivas e vitais, continuam a ser sistematicamente invisibilizadas e negadas pelo racismo estrutural da nossa sociedade. “Estando aqui no Brasil, vi que a arte quase sempre tem um ar de branquitude, buscando a validação do opressor. Isso me entristece bastante, eu gostaria que as pessoas pretas daqui sejam elas mesmas, como nosso povo pioneiro em tudo, fazendo e ocupando espaços”, completa.

Foto: Divulgação

Assim, a possibilidade de ter um lugar que reúna uma boa parte dessas manifestações gera a sensação de acolhimento. A cantora e compositora Jaísa Caldas afirma que “é sempre um conforto saber que você pode ir a um lugar e saber que sua arte vai ser prontamente acolhida”. “Eu escrevo e canto tendo como horizonte essa identidade preta e indígena como alvo”, diz. A importância e valorização é tamanha que Jaísa preparou um show especialmente para o evento. “Como eu estou arrecadando para gravação do meu disco, eu acho que essa é a situação ideal para apresentar um show novo chamado Arquivo Compilado”, finaliza.

Programação

Sexta: Oficina de dança, roda de conversa sobre arte coletiva e shows com Grupo Ijexá, Ravel Rodrigues e DJ Bossa Sasa

Sábado: Oficina de vídeo, roda de conversa sobre racialidade no Piauí e shows com Velho Bad, Jaísa Caldas, Preto Tipuá, Psico Afrodite e Baile Afrosamurai

Domingo: Feira com afroempreendedores, DJ’s Pharaoh, Fantasmão e Dafro e Samba no Coreto.

Para ver programação detalhada: https://www.instagram.com/bang_festival/

Mais informações: (86) 999516365

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