'Foi para intimidar', diz ex-advogado de prefeito morto em Madeiro, após sofrer atentado

Francisco Miranda é ex-assessor jurídico do prefeito de Madeiro, Zé Filho, e acredita que o atentado esteja relacionado ao assassinato do prefeito.

14/06/2022 12:02h - Atualizado em 14/06/2022 12:16h

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O advogado Francisco Miranda foi vítima de um atentado na madrugada da última segunda-feira (13), na sua residência na cidade de Madeiro, localizada a 181 km de Teresina. Por volta de 1h da manhã, suspeitos ainda não identificados dispararam 11 vezes contra a casa do advogado, atingindo o portão e a porta da residência. Francisco Miranda é ex-assessor jurídico do prefeito de Madeiro, Zé Filho, e acredita que o atentado esteja relacionado ao assassinato do prefeito, ocorrido no dia 28 de novembro de 2021.

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Segundo o advogado, os tiros foram disparados quando ele e a esposa estavam dormindo na casa. “Me assustei, desliguei os aparelhos que estavam ligados para não ficar nenhum sinal sonoro e nem luz, e me deitei no chão. Fiquei tentando ouvir alguma coisa, pisada ou alguma fala se aproximar, mas logo em seguida ouvi o barulho de um veículo se evadindo das proximidades da minha residência”, relatou Francisco Miranda ao Portalodia.com.

Foto: Francisco Miranda/Arquivo Pessoal

Ainda de acordo com o relato do advogado, ele só saiu de casa quando o dia já havia amanhecido e procurou à Polícia Militar do município para informar sobre o ocorrido, posteriormente, um boletim de ocorrência também foi registrado na Polícia Civil. Francisco Miranda afirma que já havia sofrido ameaças indiretas, mas não imaginava que essas ameaças seriam concretizadas.

“Sempre colegas chegavam falando que estava muito arriscado, que as pessoas poderiam realizar esse tipo de ato contra a minha pessoa, mas eu não imaginava que fosse chegar a tal ponto. Sempre tive muita segurança e muita cautela, não esperava que acontecesse”, afirma.

Para o advogado, essa seria uma forma de intimidação, já que, além de ser ex-assessor jurídico do prefeito Zé Filho, ele é uma das testemunhas de acusação no processo, tendo, inclusive, prestado socorro ao prefeito após este ser vítima dos disparos em um campo de futebol do município.

Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Tínhamos uma relação muito próxima, sempre trabalhei com ele desde o início do mandato como prefeito, além de sermos amigos pessoais. Acredito que seja um modo de me intimidar, porque fui arrolado como testemunha de acusação no processo, prestei depoimento no inquérito e fui ouvido também pelo juiz. Acredito que seja uma forma de tentar calar a minha boca”, diz.

Francisco Miranda também revelou a sensação de insegurança que tomou conta da população de Madeiro após a morte do prefeito. Contudo, apesar disso, ele pretende continuar morando no município. “Está complicado viver assim, com essa insegurança. A polícia ostensiva não tem um quadro muito grande, são poucos policiais e a gente fica à mercê da criminalidade, mas foi o lugar que eu nasci e gostaria muito de continuar vivendo lá, sim”, destaca.

Após o atentado, o advogado procurou a Comissão de Defesa das Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), e se reuniu com o delegado-geral da Polícia Civil, Luccy Keiko, para pedir apoio nas investigações sobre o caso, afim de apurar os autores dos disparos, bem como os mandantes do crime.

Foto: Assis Fernandes/O Dia

“A OAB vai solicitar o apoio de todos os órgãos competentes para que seja realizada essa investigação e para que essa investigação tenha êxito e chegue aos executores e aos mandantes do referido crime. Com a elucidação desse crime, seja decretada a prisão preventiva deles em virtude de estarem ameaçando e atentando contra a vida de uma testemunha de um processo criminal”, afirmou o presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB, Albelar Prado.

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