Moradores do Parque Alvorada adoecem e têm prejuízos por causa da lama acumulada na rua

Mau-cheiro já fez sorveteria fechar as portas e reduziu em quase 60% a venda do restaurante no cruzamento das ruas Monteiro Lobato com Juca Lopes.

18/07/2022 08:16h

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Os moradores que vivem no cruzamento e nas proximidades das ruas Juca Lopes com Monteiro Lobato, no bairro Parque Alvorada, zona Norte de Teresina, estão tendo que conviver com doenças, mau cheiro e tendo prejuízos em seus negócios em decorrência da lama acumulada no meio da rua proveniente dos bueiros e galerias. Quando chove, a situação se torna ainda mais crítica, porque a água não tem por onde escoar e empoça. 


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Lama acumulada na Rua Monteiro Lobato causa mau-cheiro e torna insalubre viver no local - Foto: Assis Fernandes/O Dia

O líquido acumulado se torna fétido e tem incomodado há quase um ano quem vive no entorno. Alguns moradores já chegaram inclusive a fechar seus estabelecimentos porque ficou impossível atender aos clientes em meio ao mau-cheiro e à lama empoçada. Em alguns casos, a quantidade de água suja parada é tão grande que impede a passagem de veículos menores como motos e bicicletas e também dos próprios moradores.


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O senhor José Francisco da Silva é moradora da Rua Monteiro Lobato há 58 anos e conta que há mais de seis meses não consegue sentar na porta de casa por conta do mau-cheiro e do risco de se sujar com lama quando algum veículo passa. “Começa lá na outra esquina com um bueiro que está entupido e não tem para onde a água correr. A gente quer sentar na porta de casa e não pode, a gente adoece com isso. Minha mulher vive tendo problema de saúde por causa dessa lama parada aqui. Já fizemos abaixo-assinado, já fizemos tudo e ninguém toma uma providência”, diz José Francisco.


O senhor José Francisco comenta que é impossível ficar na porta de casa por causa do mau-cheiro e do risco de se sujar - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Outra que também teve problemas de saúde na família devido à lama e à água parada é Patrícia Rodrigues. Apesar de morar a cerca de um quarteirão do ponto crítico de acúmulo de lama na Rua Monteiro Lobato, ela diz que o mau-cheiro chega até sua casa durante boa parte do dia e que mais de um membro de sua família adoeceu recentemente com Chikungunya devido á água parada no local.

“Lá em casa todo mundo deu chikungunya e minha sobrinha pegou uma bactéria que o médico disse que foi por causa dessa água. Tem morador idoso adoecendo, ninguém pode caminhar à noite, não tem que fique do lado de fora na calçada por causa dessa catinga. Capaz da gente tentar sair de casa e cair. Não passa uma cadeira de rodas para quem é cadeirante, não passa nada”, reclama Patrícia.


Lama acumulada na rua torna impossível a passagem de cadeirantes  - Foto: Assis Fernandes/O Dia

A população acredita que o que tem entupido os bueiros no cruzamento das duas é principalmente a areia acumulada nas obras do Projeto Sanear, que tem o objetivo de melhorar a qualidade da água, reduzir perdas hídricas e avançar no tratamento de esgotos e resíduos sólidos. Morador do Parque Alvorada há quase 30 anos, o agente socioeducador, Verinaldo Lopes da Silva, comenta que há pouco mais de um ano, aquele trecho da Rua Monteiro Lobato não tinha problemas de escoamento de água e esgoto.


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“Nós tínhamos problemas com água acumulada, mas na hora que acabava a chuva, passado alguns minutos a água sumia a não ser que a galeria estivesse entupida. A gente acredita que essa galeria for desobstruída, mesmo que não resolva 100%, vai melhorar um pouco até virem solucionar o problema de uma vez. O que a gente queria é que pelo menos fizessem a limpeza da rua. Eu tenho problema de rinite alérgica e todos os dias estou sob efeito de antialérgico por causa do mal que respirar esse ar mau-cheiroso me faz”, comenta Verinaldo.


Moradores têm adoecido por conta da lama acumulada no meio da rua - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Mas os problemas de saúde e transtornos na mobilidade não são os únicos enfrentados pelos moradores das ruas Monteiro Lobato e Juca Lopes no bairro Parque Alvorada. Os comerciantes que têm seus estabelecimentos no entorno também têm acumulado prejuízos com a água de esgoto acumulada no meio da via. Dona de um restaurante no local, a senhora Domingas Cerqueira deixou de operar seu negócio presencialmente porque ficava impossível atender aos clientes na calçada ou no balcão com o mau-cheiro da lama.

Ela conta que demitiu três dos seus cinco funcionários depois que as vendas caíram em quase 60%. “Hoje eu funciono aqui só com delivery, porque não dá para colocar uma mesa na calçada e servir meu PF, não dá para abrir e deixar os clientes no balcão lá dentro porque o mau-cheiro invade. Os clientes não querem ficar e esse cheiro não deixa a gente trabalhar”, afirma Domingas.


Dona de restaurante nas duas vias tomadas por lama, Domingas deixou de atender clientes presencialmente por causa do mau-cheiro - Foto: Assis Fernandes/O Dia

E ela não é a única. Outra que também teve prejuízos por conta da sujeira na rua, a dificuldade de acesso por causa da lama e o mau-cheiro é a dona Creuselita Ferreira. Ela tinha uma sorveteria ao final da Rua Juca Lopes, onde a de a água do esgoto ainda empoça, e a insalubridade do local acabou impactando negativamente nas vendas, o que a levou a fechar o estabelecimento.

“Como a gente vive dentro de uma cidade com uma lama dessas? A gente servia as mesas do lado de fora e tivemos que tirar, eu tive que fechar minha sorveteria que eu há mais de 20 anos porque o cheiro era insuportável. Não tem condições de ficar na calçada tomando sorvete. Como que eu ia manter meu negócio? Está todo mundo doente aqui, trancado em casa e perdendo seu ganha-pão”, dispara dona Creuselita.


Dona Creuselita foi obrigada a fechar a própria sorveteria por causa do mau-cheiro que afastava os clientes - Foto: Assis Fernandes/O Dia

A situação gera risco também para as crianças que moram na Rua Monteiro Lobato. Com a lama tomando a via e subindo nas calçadas, muitas vezes as brincadeiras acabam na margem ou até mesmo dentro da água suja.

O que diz o outro lado

A reportagem do Portalodia.com entrou em contato com a Águas de Teresina para pedir esclarecimentos sobre a situação dos moradores da Rua Monteiro Lobato. Por meio de nota, a empresa informou que profissionais estiveram no local e não identificaram vazamento de água ou extravasamento de esgoto. “Ficou constatado que se trata de entupimento na rede de drenagem urbana que impede a fluidez da água para a galeria e chega a transbordar em via pública”, disse a Águas de Teresina.

A concessionária destacou ainda que o serviço a ser executado no local não é de sua responsabilidade e que não foi encontrada solicitação de serviço para a demanda em questão.

Procurada pela reportagem, a Superintendência de Ações Administrativas Descentralizadas Centro, a SAAD Centro, não retornou o contato até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para futuros esclarecimentos.

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