Teresina: Ato unificado reúne entidades em protesto contra a gestão de Dr. Pessoa

Representantes do Sindserm, Sintetro e estudantes da capital bradam palavras de ordem contra a gestão municipal

23/03/2022 09:38h - Atualizado em 23/03/2022 12:02h

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Nem a paralisação do transporte público em Teresina impediu que centenas de manifestantes se reunissem na manhã desta quarta-feira (23) , na Praça da Fripisa, Centro da Capital. O Ato Unificado reuniu representantes do Sindserm, Sintetro, estudantes que fazem parte da Juventude Socialista e docentes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Instituto Federal do Piauí (IFPI). A manifestação é contra a atual gestão de Dr. Pessoa frente à Prefeitura de Teresina, e também contra a intervenção do vice-prefeito, Robert Rios, nas tratativas dos sindicatos junto ao executivo municipal.


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Os manifestantes se reuniram na Praça do Fripisa e seguem percorrendo alguns pontos da cidade, como a Secretaria Municipal de Educação Semec), o Palácio da Cidade, Setut, Palácio de Karnak, seguindo pela Avenida Frei Serafim e com concentração na Praça da Liberdade.

(Fotos: André dos Santos/ODIA)

Pelo Sintetro, motoristas e cobradores denunciaram a falta de diálogo com a gestão atual, o que segundo eles, tem gerado o caos no transporte municipal. O presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, destaca que a categoria, além de estar sem salário, perdeu seus benefícios. 


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“Uma gestão nova que prometeu mundos e fundos e até agora não fez nada. A humildade dele [Dr. Pessoa] ainda não chega na população”, disse. A categoria cobra os benefícios como plano de saúde e ticket alimentação, além do salário, que não é reajustado desde 2019.

Cláudio Gomes, motorista de ônibus, enfatizou que a categoria está revoltada com a gestão municipal atual. “A pior [gestão] de todas. A gente votou em massa, motorista e cobradores acreditamos nas mentiras e promessas falsas dele [Dr. Pessoa] e hoje estamos apanhando com as mentiras dele. O trabalhador do transporte público quer que você honre com suas mentiras, suas promessas falsas, então nos ajude e resolva nossos problemas”, disse.

“Diálogo da prefeitura com professores é com bomba e gás lacrimogêneo”, diz Sindserm

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresina (Sindserm) também participa deste grande ato contra o prefeito de Teresina, Dr. PessoaOs professores da rede municipal estão há 45 dias de greve e lutam pelo reajuste do piso salarial de 33%, e que a prefeitura não quer repassar o reajuste. Joaquim Monteiro, diretor de comunicação do Sindserm, pontua que a gestão municipal não está aberta para negociação.

“A gente viu na semana passada bala de borracha e gás lacrimogêneo. A gente pede, desde janeiro/2022, a nossa pauta de negociação e a prefeitura nunca se mobilizou para nos chamar para negociar. A pauta é extensa, porque são reivindicações históricas, e se resolve isso com mesa de negociação, e nada disso foi feito. O diálogo que a prefeitura conhece é o da bomba e do gás lacrimogêneo”, reforça o representante do Sindserm.

Professores da UFPI fazem manifestação e categoria não descarta greve

Os professores da UFPI e IFPI se reuniram com outras entidades para participar da manifestação que acontece esta manhã no Centro de Teresina. Os docentes das instituições de Ensino Superior do Piauí marcam as mobilizações da classe em busca de melhores condições de trabalho, valorização profissional e reajustes salariais. A categoria tinha anunciado um indicativo para esta quarta-feira, porém, aguardam posicionamento da ANDES (Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior) para deliberar greve.

Contraponto

A equipe do PortalODIA.com entrou em contato com os órgãos citados na reportagem. Com relação à manifestação dos professores, a Prefeitura de Teresina informou, por meio de nota, que concedeu reajuste linear de 16% e que estuda a ilegalidade da categoria. Sobre a greve dos motoristas e cobradores, destacou que há um desentendimento entre trabalhadores e sindicato patronal, e que a Strans cadastrou ônibus alternativos para atender a população. 

Confira a nota da Prefeitura de Teresina na íntegra:

"Em relação às reivindicações de movimento que acontece, nesta quarta-feira, 23, a Prefeitura de Teresina informa que concedeu, neste mandato, um reajuste linear de 16%, a pedido dos próprios professores da rede municipal de ensino. Na primeira proposta, o percentual de aumento era maior, porém, escalonado. O menor salário inicial de um professor da Prefeitura de Teresina é de R$ 4.980,90, um dos maiores do país. A Prefeitura estuda pedir a ilegalidade da greve.   

A greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Teresina é motivada por desentendimentos entre o sindicato dos trabalhadores e sindicato de donos de empresas. Desde que a paralisação foi anunciada, a Prefeitura tomou providências para amenizar seus impactos.

O Tribunal Regional do Trabalho determinou, na noite dessa segunda-feira, 21, a volta da circulação dos ônibus com 80% da frota em horários de pico e de 60% no período entrepico.

A Strans cadastrou 250 veículos alternativos para atender à população durante o movimento grevista. Além disso, será implantado, na próxima semana, o serviço de táxi-lotação que também dará suporte para o transporte público de Teresina. Este serviço já vem sendo implantado de forma exitosa em outras capitais do país.

Sobre as famílias que pedem a desapropriação de áreas privadas para que recebam os títulos de moradia, a PMT mantem um diálogo com todos e entende que não deve acontecer, em um primeiro momento, a desapropriação dessas áreas. Neste momento, a PMT realiza o Regulariza Teresina, o maior programa de regularização fundiária já realizado na cidade. Pelo programa, as famílias que ocupavam áreas públicas antes da gestão de Dr. Pessoa devem permanecer. Já aquelas que ocuparam novas áreas vão responder a justiça."

 O DIA entrou em contato com o Setut, que informou que irá avaliar a situação, e, em breve, dará um posicionamento. 

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